Se eu perguntar ao amigo leitor qual é o seu maior herói na história do San Antonio Spurs, dificilmente ele será lembrado. E isso não é nenhuma surpresa para uma franquia que viu gênios do basquetebol como David Robinson, Tim Duncan, Tony Parker e Manu Ginóbili. Nem sequer um demérito, porque esses caras são referências não somente para a franquia, mas expoentes da história do basquete em todo mundo. É que também existe um outro nome da história do Spurs, muitas vezes esquecido, que foi peça fundamental nos títulos de 2003, 2005 e 2007. Nesse momento muitos já sabem de quem falamos, mas outros se perguntam quem é esse importante nome que nunca foi tratado em patamar parecido ao do nosso Big Three.

Sim amigos, estamos falando de um dos maiores defensores da história da franquia e que completou 50 anos essa semana: Bruce Bowen!

Bruce Bowen e Manu Ginobili comemorando o título da NBA de 2005 – Imagem: @spurs, no Instagram.

Os grandes times que Gregg Popovich dirigiu na década de 2000 não eram construídos para serem máquinas de ataque. Muito pelo contrário, eram obras primas defensivas com liberdade ofensiva para a genialidade de Duncan, Parker e Ginóbili. Bowen era um dos pilares dessa defesa tão sólida – e talvez tenha sido até mesmo o mais importante desses pilares.

Sua extraordinária capacidade defensiva não podia ser medida apenas com números frios das estatísticas defensivas tradicionais, como rebotes ou roubos de bola, por exemplo. Bowen era muito superior que qualquer um desses números. Ele era um exímio defensor numa época em que os maiores desafios no caminho rumo ao título era parar máquinas como Kobe Bryant, Steve Nash e até Dwyane Wade e outros craques da Conferência Leste no auge de suas formas físicas. Ter uma excelente defesa do perímetro era fundamental para, de alguma forma, tentar conter a agressividade desses astros. E Bowen o fazia com maestria!

Além disso, também desenvolveu um ótimo arremesso de três pontos da zona morta, tornando-se um dos expoentes do modelo de jogador 3 ‘n’ D que se busca tanto hoje, um verdadeiro “big three”.

A trajetória de Bruce Bowen

Bowen foi formado na Fresno Edison High School e em seguida defendeu por 4 anos (1989-93) a California State University Fullerton, onde obteve médias de 16.3 pontos, 6.5 rebotes e 2.3 assistências em 36.6 minutos por jogo no ano de sênior, números que o levaram à nomeação para o All-Big West Conference First Team. Mesmo assim, não foi escolhido no draft de 1993.

Após passar 4 anos jogando em times franceses ou em times de ligas menores dos Estados Unidos, chegou a NBA na temporada 1996-97 em um contrato de 10 dias com o Miami Heat. Na temporada seguinte, assinou com o Boston Celtics, passando em seguida por Philadelphia 76ers e retornando ao Heat.

Chegou ao Spurs em 2001 e jogou 59 partidas, com médias de 7 pontos, 2.7 rebotes, 1.0 roubo de bola e 1.5 assistências em 28.8 minutos por jogo. Na temporada seguinte (2002/03), ajudou a franquia a vencer o título da NBA no confronto contra o finado New Jersey Nets.

Bruce Bowen fazendo sua arte, a defesa – Imagem: @spurs, no Instagram.

Nessa época, era considerado um jogador “sujo” – fama que ainda permanece -, pois defendia de forma agressiva e deixava os arremessadores que marcava muito incomodados. Durante os anos seguintes, teve por muitas vezes a função de tentar para Kobe Bryant, a ponto do astro dizer certa vez que Bowen foi o defensor que mais dificultou sua vida na NBA.

Bruce Bowen ainda ganharia mais dois títulos e terminaria suas 9 temporadas como um dos grandes defensores e jogadores da história do San Antonio Spurs. Ao final de sua carreira, terminou com médias de 6.1 pontos, 2.8 rebotes, 0.8 roubo de bola e 1.2 assistências em 27.6 minutos por jogo na temporada regular e 6 pontos, 2.7 rebotes, 0.8 roubo de bola e 1.3 assistências em 31 minutos em partidas de Playoffs, estatísticas que servem apenas para confirmar que Bowen era muito maior do que os números.

Em 2012, seu legado pelo Spurs foi eternizado com a aposentadoria de sua camisa 12. A qual, contudo, não ficaria tanto tempo sem ser utilizada novamente, pois em 2015 o próprio Bowen deu a bênção para a então maior contratação da história da franquia, LaMarcus Aldridge, utilizá-la.

Tim Duncan e Bruce Bowen se cumprimentam – Imagem: @spurs, no Instagram

Apesar de muitas vezes ser pouco lembrado, Bowen inegavelmente fez do Spurs um time campeão. Obviamente, ele não fez isso sozinho, mas não há como diminuir a contribuição dessa lenda na história da franquia. Hoje, existem arremessadores de perímetro tão poderosos, como Stephen Curry e Damian Lillard, que sempre fazem surgir memórias afetivas muito boas de jogadores que defendiam tão bem essa área quanto fazia esse ídolo. O que você acha, será que Bowen hoje conseguiria marcar esses monstros? Há hoje no Spurs ou em toda NBA alguém com a capacidade defensiva semelhante ao nosso eterno camisa 12?

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