Com a 12ª escolha do Draft deste ano, o San Antonio Spurs surpreendeu a todos e selecionou Joshua Primo, jovem canadense de apenas 18 anos (nascido em 24/12/2002), o jogador mais jovem a ser selecionado em um Draft da NBA desde 2013.

Josh Primo foi também o jogador mais jovem da última temporada no basquete universitário, em que jogou pela Universidade do Alabama. Lá ele demonstrou um potencial para se tornar um Ala 3&D a curto prazo e ameaça ofensiva em todos os níveis a longo prazo, de modo a ter chances de seleção no Draft da NBA deste ano.

Em um ano no basquete universitário, teve médias de 8.1 pontos, 3.4 rebotes, 0.8 assistências e 0.6 roubos de bola, além de 43.1% de aproveitamento nos arremessos, 38.1% nas bolas de três, que aumentam para 45% em situações de catch-and-shoot, e 75.0% nos lances livres. Possui 1.96m de altura e 2.06m de envergadura no momento, além de 85kg, mas pela pouca idade ainda tende a crescer e aumentar sua massa muscular.

Joshua nasceu em Toronto, no Canadá, mas joga nos Estados Unidos desde o High School, e ainda aos 16 anos de idade representou a seleção canadense na Copa do Mundo Sub-19 como o jogador mais jovem da equipe. Dois anos depois, chega à NBA como uma escolha de loteria e mais uma vez com o posto de jogador mais novo, mas dessa vez da melhor Liga de basquete do mundo.

Sobre o nível de basquete que ele já tem, bem como o que ele pode vir a se tornar na NBA, é muito difícil dizer, mas alguma coisa interessante ele mostrou para impressionar o Spurs e os adversários ao ponto de ser escolhido na 12ª posição, algo que o próprio Joshua queria muito, mas não esperava.

“Eu não percebi que seria uma escolha tão alta, mas estou feliz de ter sido o Spurs. Eu sempre quis ser um Spur. Quando iniciei o processo, eu disse pro meu agente que era pra lá que queria ir, e acabou dando certo. Que ótimo.”

Joshua Primo, após ser selecionado pelo Spurs na pick 12 do Draft de 2021

Apesar da surpresa inicial da seleção, ao ouvir o que Brian Wright, GM do Spurs, e os principais analistas do Draft disseram, é possível entender porque o Spurs foi de Josh Primo na 12ª escolha. Ele era o jogador de maior potencial disponível para a equipe de scouts da franquia, que também não achou que dava para arriscar fazer uma trade down e selecioná-lo ao fim da 1ª Rodada pelo que tinham de informações das demais equipes.

Agora vamos ao que interessa.

Pontos Fortes de Josh Primo

O arremesso de Josh Primo é sua vitrine. Apesar de tão novo, o canadense já teve ótimos números no arremesso longo em sua única temporada universitária: 38% de aproveitamento em 3.8 tentativas para três pontos, incluindo 45% de acerto nas situações de catch-and-shoot. Além disso, sua mecânica é considerada boa e difícil de contestar, haja vista a altura de seu lançamento, e seu potencial de dinamicidade nesse aspecto é enorme.

Outro aspecto interessante de seu jogo e bastante comentado em diferentes análises é sua versatilidade defensiva. Grande e longo para a posição que joga, com 1.96m de altura e 2.06m de envergadura, Primo utiliza-se bem de sua mobilidade e se diz poder marcar das posições 1 a 3 e “até mesmo a 4”, segundo ele mesmo. Para além disso, também mostrou durante toda a temporada bastante esforço e inteligência no lado menos glamoroso da quadra.

Também muito comentado foi seu potencial como um criador secundário, aspecto que transpareceu no basquete universitário, segundo diversas análises, mas que chamou mesmo a atenção do Spurs no Draft Combine, pelo que disse Brian Wright, GM da franquia, na entrevista pós-Draft. Do que pôde ser visto pelos analistas antes disso, ele mostrou flashes do bom passador que pode ser após o corta-luz numa situação de iniciação de pick-n-roll.

Se tudo der certo, com base em suas características de jogo e no potencial que mostrou em alguns momentos da temporada universitária, Joshua pode se tornar um ala pontuador nos três níveis, isto é, com capacidade de pontuar tanto no arremesso de longa distância, quanto na média distância e no ataque ao aro. Esse não é o jogador que o canadense é agora, mas numa situação ideal é quem ele pode se tornar, o que seria fantástico para San Antonio.

Por fim, o grande trunfo de Josh Primo é sua juventude, que aliada ao seu potencial e à confiança na equipe de desenvolvimento do Spurs, aponta para o caminho certo. Aos 18 anos, Primo é tão jovem que daqui a três anos (2024), ou seja, após três anos desenvolvendo-se em Austin e San Antonio, ainda será mais novo do que Keldon Johnson é hoje, e em quatro (2025), mais novo do que Lonnie Walker é nesse momento.

Com muito potencial, um teto alto e impressionante juventude pela frente, a esperança é de que Joshua se torne uma das melhores versões de si mesmo com a camisa preta e prata. Para isso, contudo, será necessário paciência e muito tempo de trabalho.

Pontos Fracos de Josh Primo

Se por um lado, Joshua mostrou potencial de tornar-sr um bom criador secundário, por outro ele distribuiu pouquíssimas assistências em sua única temporada no basquete universitário, apenas 0.8 por jogo e 2.4 por 100 posses de bola. Para piorar, cometeu uma média de 1.4 desperdícios por partida, quase o dobro de seu número de assistências.

Outra “fraqueza” do garoto canadense é sua atual característica física. Josh ainda é muito fraco e franzino para os padrões da NBA, o que certamente o atrapalharia no ataque ao aro sob contato e também pode diminuir bastante sua versatilidade defensiva, visto que com esse corpo seria muito difícil ficar à frente de muitos alas e ala-pivôs do nível profissional norte-americano. Nada que não possa mudar ao chegar na NBA, todavia.

E se o arremesso longo é uma de suas principais marcas neste momento, a inconsistência nesse arremesso é também uma das preocupações até aqui. Por Alabama, apesar da boa média de conversão, Primo arremessou muito bem em alguns jogos e muito mal em outros, de modo que um dos primeiros aspectos a trabalhar no Spurs deverá ser a sua consistência no arremesso.


Como se pode ver, Brian Wright (GM do Spurs) e sua equipe arriscaram, que é justamente o que se espera da franquia numa situação de reconstrução. No texto anterior, dissemos que o Draft se trata de apostas e que esse era o momento do Spurs apostar no futuro. Pois bem, foi exatamente o que o Front Office sul-texano fez.

A mentalidade da franquia foi correta (…) buscar o melhor potencial disponível a longo prazo.

Ocorre que com tantos nomes bons disponíveis à altura da 12ª escolha, como Alperen Sengün, Kai Jones e Jalen Johnson, por exemplo, fica difícil não se decepcionar ou ao menos surpreender-se com a seleção final do Spurs. Todavia, não há como negar que a mentalidade da franquia foi correta para um momento de reconstrução: buscar o melhor potencial disponível a longo prazo.

Se acertaram na execução, só o futuro dirá.

Daqui em diante, o que nos resta torcer pelo crescimento de Josh Primo e ter paciência com seu desenvolvimento. Potencial, o garoto tem.

Go Spurs Go!

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